Consequência lógica
Mais um editorial exemplar sobre o antissemitismo disfarçado de antissionismo que grassa em nossas universidades.
Só tenho um pequeno reparo. O editorialista fala em “grupelhos que se infiltram na universidade para prejudicar a vida acadêmica”. Na verdade, não há “infiltração”, como se fosse um vírus em um corpo saudável. Esses “grupelhos” são a consequência necessária de uma forma de pensar nutrida desde as mais altas esferas da universidade. Não se trata de um corpo estranho, mas do próprio corpo. A atitude da Congregação da fefelechi, que cortou um convênio com a Universidade de Haifa, prova o ponto.
Isso não é exclusividade da universidade brasileira. Na verdade, importamos o modelo norte-americano, em que as reitoras de três universidades da Ivy League protagonizaram cenas constrangedoras no Senado americano, ao não conseguirem condenar atos antissemitas nos campi sob sua jurisdição. Somos colonizados até nisso.
Portanto, esses “grupelhos” só seguem a lógica de todo um sistema preso ao identitarismo, em que os palestinos são uma de várias bandeiras úteis para o desfile da virtude. O judeu, como sempre na história, faz o papel de vilão universal, tendo o direito de permanecer calado.



Tanto o caso da FFLCH, rompendo acordo com a Universidade de Haiffa, pelo o que escuto de uma conhecido que mora lá, é um das cidades mais democráticas e pluralista do Oriente Médio, onde Católicos, Muçulmanos, Judeus e ateus tem os filhos em algumas escolas e convivem juntos incluindo a participação dos pais. Outro absurdo é o caso do Largo São Francisco proibir alguém de falar. Sou egresso da USP nos anos 80. Lá assisti palestras e papos com Delfin Neto, Fernando Henrique, Florestan Fernandes etc. Havia manifestantres contra o palestrante, mas todos falavam e quem não os apoiava nem comparecia. A universidade é um campo de discussão de ideias e não de lacração. Uma vergonha!